PERSPECTIVAS DO NOVO MORAR CONTEMPORÂNEO


Greg Bousquet no GRI Residencial Brasil 2022.


Criativo ou técnico? Qual o perfil que a sociedade e o mercado esperam de um arquiteto? Nosso Sócio fundador Greg Bousquet abordou esse tema em sua palestra em evento do GRI Club, um dos principais grupos do mercado imobiliário com operações em diversos países.


Frente a uma plateia de investidores, desenvolvedores e operadores imobiliários, Greg lembrou que, embora pouco se fale sobre o valor agregado que a arquitetura pode trazer a um empreendimento, ele se torna mais determinante a cada dia que passa. "Hoje, a arquitetura pode realmente mudar um negócio", afirmou. Por isso, é hora de os arquitetos assumirem seu papel de articulador e empreendedor, olhando tanto para um campo quanto para o outro.



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A ARQUITETURA DO SÉCULO 21 É ARTE, TÉCNICA, NEGÓCIO E FERRAMENTA DE SUSTENTABILIDADE


Em arquitetura, sonhar é bom, mas está longe de ser suficiente. Ter os pés no chão é outra parte fundamental da equação. A arquitetura precisa ser funcional, pois é a única arte, dentro das Belas Artes, com funcionalidade prática e utilidade. Necessita de técnica. Na verdade, é a soma da arte e da técnica.


Dessa forma, sua execução também se beneficia de uma observação acurada do mercado, do contexto econômico e das tendências de comportamento globais. Projetar vai muito além de satisfazer os olhos e a alma, o que não significa que conforto e estética possam ser colocados em segundo plano.


Recentemente, pude conversar sobre essa complexidade a convite do GRI Club, com uma plateia de investidores, desenvolvedores e operadores imobiliários, alguns dos quais mais admiro atualmente. O que um arquiteto teria a contribuir com a visão de profissionais tão experientes? Bom, a arquitetura pode mudar um negócio.


Pouco se fala sobre o valor agregado que a arquitetura pode trazer a um empreendimento, mas ele se torna mais latente a cada dia que passa. O arquiteto artista, criativo e idealista, que ignora prazos, a importância do marketing ou o sucesso de vendas, não tem como se consolidar nesse mercado altamente competitivo e exigente. Por outro lado, o arquiteto técnico, imediatista, focado apenas na execução e na geração de lucro, que dá pouca importância aos aspectos sociais, urbanísticos e de sustentabilidade, tampouco vai muito longe. É hora de os arquitetos assumirem seu papel de articulador e empreendedor, olhando tanto para um campo quanto para o outro.


O dinamarquês Bjarke Ingels, fundador do BIG Architecture, um dos maiores escritórios do mundo, é um bom exemplo. Reconhecido por traços complexos em edifícios grandiosos, ele integrou o time de Rem Koolhaas para depois criar o seu próprio. Neste ano, já anunciou o lançamento de uma incorporadora, dedicada a construir edifícios em madeira. Seus desenhos refletem anseios humanos, mudanças de pensamento e preocupação ambiental de que nossas cidades precisam. “Eu acho que a arquitetura precisa entender a criatividade de forma diferente, não apenas formalmente”, afirmou Ingels em uma entrevista.

CRIATIVIDADE E SUSTENTABILIDADE

A arquitetura criativa, mas ancorada na realidade, é uma importante ferramenta para a sustentabilidade. Mais do que criar formas inesperadas, é preciso saber quais decisões tomar diante dos recursos e imposições existentes.


Atualmente, 2% da superfície terrestre é ocupada por cidades, mas 55% da população mundial vivem nesses espaços, sendo que 33% moram em habitações precárias. E 75% das emissões de carbono na atmosfera se originam na maneira como construímos, incluindo produção de material e gasto energético. Rever sistemas e métodos é urgente e essencial.


O planejamento baseado na busca pela eficiência, na utilização de materiais ecológicos, como a madeira engenheirada, ou proporcionar às pessoas maior conexão com espaços públicos são algumas alternativas para moldar um futuro sustentável.


A arquitetura é um empreendimento. Como tal, exige estudos de viabilidade, cálculos, entendimento sobre a legislação, características do terreno, sombreamentos e insolação. Mas tudo isso não significa que, quando pronta, a obra não possa assumir o status de obra de arte.


Perspectivas do novo morar contemporâneo" no GRI Residencial Brasil 2022






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