Novas formas de morar: O equilíbrio entre o homem e seu meio ambiente.


O morar contemporâneo vem se consolidando a partir de mudanças nas rotinas, hábitos e modelos de consumo que saíram do automático para se tornarem motivo de reflexão. Foi como se o tempo tivesse passado mais devagar para assim abrir nossos olhos ao que realmente importa: nossa qualidade de vida.


CoHaut 002 - ARCHITECTS OFFICE + Haut Incorporadora



Com bilhões de pessoas confinadas por semanas ou meses, é natural que o caminhar pelas ruas, a possibilidade de ver e ouvir o outro ou de contemplar uma paisagem tenham ganho muito mais importância. Estamos mais sensíveis e atentos, ao mesmo tempo em que nos revelamos menos dispostos a perder tempo em deslocamentos desnecessários. No mundo todo, o home office não se mostra algo passageiro.


As dezenas de residências projetadas nos últimos anos por nossa equipe no Brasil e em Portugal, nos endereços mais diversos do planeta, assumem formatos de edifícios verticais masterplans, condomínios horizontais e outros em que o verde se torna protagonista, com fachadas dotadas de grandes aberturas para o exterior. Estar na cidade precisa ser tão agradável quanto estar no campo. Os traçados focam na geração de bem estar, no restabelecimento da saúde mental. O externo deve traduzir e complementar nosso mundo interior. É a era da intuição, da mente e do corpo como potência, da compreensão de que natureza e humanidade são co-dependentes.


A cidade de 15 minutos, conceito baseado na criação de diversas centralidades que permitam a todos realizarem suas tarefas diárias a pé ou de bicicleta em trajetos de apenas 15 minutos, tornou-se um ideal compartilhado por moradores das grandes cidades do mundo. A valorização do comércio local, tão afetado pela pandemia, vem dando novo fôlego à retomada de cafés, mercados, lojas e serviços. A conscientização sobre os impactos ambientais reforçam a ideia de que consumir o que está perto é também uma forma de reduzir as emissões e preservar o planeta. Da mesma forma, poupar deslocamentos em carros individuais ou fazê-los caminhando ou pedalando ajuda a desacelerar as mudanças climáticas.


A circulação de pessoas nas ruas tem outros efeitos colaterais positivos para as cidades: traz dinamismo para a economia urbana e proporciona maior sensação de segurança. Afinal, ruas e calçadas seguras são aquelas cheias de gente indo e vindo o tempo todo, bem utilizadas para seu propósito fundamental de facilitar os fluxos e os encontros.


Materiais sustentáveis, como a madeira, já estruturam uma nova geração de arranha-céus, substituindo o aço e o concreto, mais poluentes. Biomateriais criados a partir de plantas e fungos inspiram novos acabamentos e processos. A pesquisa e inovação em design eleva os parâmetros ambientais sem abrir mão de desempenho ou conforto.


Se estamos em um momento em que precisamos nos curar como espécie e como planeta, o design e a arquitetura são os melhores recursos para um bom tratamento de nós e do mundo.





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