AO na revista portuguesa TRAÇO: Expografia ArchSummit em destaque


Na sede lisboeta da ARCHITECTS OFFICE, João Vieira, sócio fundador da AO-LX, e Miguel Taborda, arquiteto e project leader, contam em entrevista sobre o projeto expográfico da 6ª edição do ArchiSummit, conferência de arquitetura na cidade de Porto - PT


_Confira a matéria na íntegra:



Fotos: Rui Lourenço/ Frameit





TRAÇO | 2º SEMESTRE DE 2022



ARCHI SUMMIT 2022 | O AO-LX, com sede em São Paulo e, mais recentemente, também com escritórios em Lisboa, foi o escolhido para guiar os participantes da 6a edição do Archi Summit pelo interior do Palácio Ford.


Entre diferentes percursos, e ao longo de três dos edifícios da quele antigo complexo, poder-se-á ver exposições, ouvir conferências, falar com empresas, mas também conhecer um pouco da história industrial da cidade do Porto. João Vieira, fundador do atelier e Miguel Taborda, arquitecto responsável pelo projecto explicaram à Traço como definiram o conceito.



O QUE QUISEMOS NO PROJECTO FOI ENCONTRAR UMA FORMA DE CONTRIBUIR, DE SENSIBILIZAR, MAIS DO QUE MANIFESTAR"

João Vieira




Como surgiu o convite? Como tem estado a ser a experiência?

João Vieira: Trata-se da participação de um evento de arquitectura que abraça vários propósitos, de divulgação e promoção de determinadas marcas, é a reunião de vários arquitectos, palestras e conferências para discutir alguns temas mais sensíveis da actualidade da arquitectura, da construção, do mercado, dos materiais e nós tentamos estar sempre envolvidos neste tipo de evento.

O Archi Summit surgiu como uma abordagem sobre um pedido de informações sobre o evento e um consequente convite de parte deles para nós sermos os designers do espaço interior. Depois disso criou-se uma sinergia e uma colaboração de como abordar da melhor forma mão só o design do espaço, mas também a mensagem que se pretende com o tema.



A NOSSA POSIÇÃO NÃO É SOBREPOR-NOS ATRAVÉS DA ARQUITECTURA A QUALQUER TIPO DE EVENTO QUE VÁ ACONTECER NO ARCHI SUMMIT MAS É MAIS NO ESPÍRITO COLABORATIVO”

Miguel Taborda






Fotos: Rui Lourenço/ Frameit


De que forma então é que vão passar essa mensagem?

Miguel Taborda: Para nós foi apelativo no sentido, como o João falou, enquanto oportunidade e o tema, que é acerca do Impacto, e isso para nós também seria de uma forma de demonstrar aquilo que se estava a passar, as consequências daquilo que estávamos a viver e o que se pode retirar daí e então nesse modelo o que é que podemos fazer para entervir e mostrar a nossa sensibilidade em relação ao tema.

Claro que há um programa previamente definido, em que são necessários determinados números de espaços para expositores, para oradores e para as conferências. Contudo, a nossa posição também não é sobrepor-nos através da arquitectura a qualquer tipo de evento que vá acontecer no Archi Summit mas é mais no espirito colaborativo e entender realmente o que é querem fazer e nós repensarmos como pode ser este esforço colaborativo e de integração entre o tema e a nossa arquitectura.




ISTO ACABA POR SER QUASE UM EXERCÍCIO DE ACUPUNTURA. O EDIFÍCIO JÁ TEM O CARACTER, TEM O QUE É NECESSÁRIO PARA ACOMODAR O ARCHI SUMMIT E NÓS APENAS PRETENDEMOS FAZER PEQUENAS INTERVENÇÕES PONTUAIS"

Miguel Taborda




O edifício do Palácio Ford 'presta-se' a tipo de resposta que pretendem?

João Vieira: Acho que a base facilita esta explicação que o Miguel deu. O tema Impactar por si só é um tema muito forte e hoje tem tamos a viver e o que se pode retirar daí e então nesse modelo um peso que não teria há cinco ou 10 anos. O peso com que as pessoas absorvem a palavra Impacto é muito forte e fomos muito sensíveis a essa ideia, porque não somos muito adeptos de manifestos, de radicalismos, mas sim da contribuição e da colaboração. Considero que existem muitas formas de comunicar palavras muito evidentes como 'Impactar' e o que quisemos no projecto foi encontrar uma forma de contribuir, de sensibilizar mais do que manifestar.


Fotos: Rui Lourenço/ Frameit


Acho que essa é outra característica nossa. Somos muito optimistas na forma como tentamos reverter sempre os problemas e questões menos positivas em oportunidades e em soluções. Isso é o nosso trabalho diário. Pela dimensão e ecletismo dos projectos em que estamos envolvidos, nós temos que ter essa postura e acreditarmos nessa postura quando abraçamos um projecto como o do Archi Summit, que tem uma responsabilidade directa, supostamente inferior, mas que tem uma responsabilidade social manifestamente superior. E isso é uma oportunidade e torna-se interessante e desafiante equilibrar e dosear a nossa postura relativamente a este tipo de projectos. O facto de se tratar de um edifício industrial completamente abandonado e degradado acho que está completamente associado à mensagem que o Archi Summit pretende passar. Pessoalmente conheço muito bem o local porque sou do Porto e estudei ali perto, mas não conhecia o edifício por dentro, inserido num terreno maravilhoso com uma área generosa e uma arquitectura industrial, não muito impactante, mas com muito charme, com muita história, completamente desaproveitada.





O PESO COM QUE AS PESSOAS ABSORVEM A PALAVRA IMPACTO É MUITO FORTE E FOMOS MUITO SENSÍVEIS A ESSA IDEIA, PORQUE NÃO SOMOS MUITO ADEPTOS DE MANIFESTOS, DE RADICALISMOS, MAS SIM DA CONTRIBUIÇÃO E DA COLABORAÇÃO”

João Vieira



Fotos: Rui Lourenço/ Frameit



Para quem for ao Archi Summit e entrar no Palácio Ford, o que pode esperar?

Miguel Taborda: Acima de tudo é evidenciar o edifício que quase ninguém conhece. O edifício vai estar identificado no exterior e depois de passar uma espécie de um portão, entra-se no complexo da Ford. Isto acaba por ser quase um exercício de acupuntura. O edifício já tem o caracter, tem o que é necessário para acomodar o Archi Summit e nós apenas pretendemos fazer pequenas intervenções pontuais no qual não estamos a tentar cobrir o edifício com a nossa arquitectura, mas apenas conduzir as pessoas por uma pequena experiência. É aí que entra o nosso conceito, essa experiência de passar de um local para o outro, de como é que se atravessa, de guiar no fundo as pessoas. Tratam-se três edifícios do complexo que vão ser utilizados, em que cada um deles vai ter o seu papel e o que pretendemos é que as pessoas façam pequenos percursos por cada uma deles, o que não fariam numa situação normal. Ao longo desses vamos, também, deixando alguma informação sobre a história e conceitos do próprio Palácio Ford para evidenciar e realçar o caracter o mesmo.

















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